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Blog Católico
 


Um novo artigo que nos mostra bem a história do Arcebispo Lefebvre e da Fraternidade fundada por ele.



Escrito por Católico até morrer às 11h58
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O Caso Lefebvre (I)

Em Síntese:

  

O artigo, em sua primeira parte, apresenta breve esboço biográfico de D. Marcel Lefebvre, com o desenrolar do pensamento do arcebispo. Na segunda parte, examina as principais objeções que o prelado formula contra o Concílio do Vaticano II e a atual autoridade da Igreja. - Num estudo sereno das questões, verifica-se que D. Lefebvre se ressente de formação teológica ligada à Action Française, movimento monarquista e antidemocrático, com o qual simpatizava o professor Pe. Louis Billot S.J., da Universidade Gregoriana em Roma. Tais premissas foram-se desenvolvendo durante e após o Concílio, corroboradas pela verificação de abusos ocorridos na Igreja em virtude de falsa interpretação do Concílio do Vaticano II. Além do mais, a idade e a instância de assessores mais próximos vêm debilitando a autonomia do prelado. O cisma de D. Lefebvre tem, ao lado de graves conseqüências negativas, a vantagem de alertar a Igreja para o mal que os abusos teológicos e disciplinares causam ao Reino de Deus.

 

* * * Tem chamado a atenção do mundo cristão a atitude do arcebispo emérito D. Marcel Lefebvre, que aos 30/06/88 ordenou quatro Bispos sem autorização da Santa Sé; deu assim origem a um cisma ou a uma ruptura na Igreja, dilacerando profundamente os corações dos fiéis católicos.

 

Dado o grande vulto que os acontecimentos tomaram, procuraremos, nas páginas subseqüentes, investigar o pensamento e as idéias que moveram D. Lefebvre a tanto na avançada idade de 83 anos.

 

1.      D. Lefebvre: a pessoa e suas idéias

 

1.1.  Primeiras influências: Billot e a "Action Française" (1905-62)

 

Marcel Lefebvre nasceu em Tourcoing (França setentrional) aos 29/11/1905, de família católica fervorosa. O pai, René Lefebvre, era homem austero e corajoso, enquanto a mãe, Gabrielle, se distinguia por seu caráter firme e sua piedade. De sete filhos: dois se tornaram sacerdotes e missionários, e três se fizeram Religiosas (duas de clausura e uma missionária). Marcel estudou no Colégio do Sacré-Coeur de Lille; após o que entrou no Seminário e foi enviado a Roma (Seminário Francês), onde permaneceu de 1923 a 1930. Foi ordenado sacerdote em 1929, e ingressou na Congregação dos Padres do Espírito Santo. Na Universidade Gregoriana, sofreu grande influência de um antigo professor, o Pe. Louis Billot S.J., que em 1911 foi feito Cardeal; este mestre era simpatizante da chamada Action Française, movimento francês altamente nacionalista, contrário à democracia parlamentar e favorável à monarquia hereditária; em 1926 o Papa Pio XI condenou a Action Française, pois esta queria apoiar suas teses sobre o Catolicismo; a condenação levou o Cardeal Billot a renunciar ao Cardinalato e a retirar-se para uma casa de Noviciado da Companhia de Jesus, onde morreu tranqüilamente.

 

Marcel Lefebvre absorveu idéias de Louis Billot, que rejeitava o liberalismo como sendo "a heresia por excelência após o modernismo", heresia que levaria os cristãos a destruir a imutabilidade dos artigos de fé.

 

As idéias de Billot, corroboradas pelo Pe. Le Floch, Superior de Lefebvre durante os anos de formação e adversário do "modernismo democrático", estruturam o pensamento do jovem estudante para o resto da vida.

 

No início do seu ministério sacerdotal, o Pe. Marcel foi mandado para o Gabão (África), onde exerceu intensa atividade missionária até 1945. Passou dois anos (1945-47) na França, e voltou à África (Dakar). Seu zelo apostólico ocasionou sua nomeação para Vigário Apostólico e, depois, Arcebispo de Dakar, onde ficou até 1962. Nesta data deixou a sé arquiepiscopal e voltou à França. A razão por que D. Lefebvre se retirou da África, é que o prelado se mostrara contrário à instituição de uma hierarquia episcopal africana ou à "africanização da Igreja"; parecia-lhe que à França competia uma missão civilizadora e evangelizadora, da qual não podia abrir mão; ciente disto, o Presidente Leopoldo Senghor, do Senegal, católico, pediu à Santa Sé que retirasse da África D. Lefebvre - o que foi feito. Na França o prelado foi posto à frente da diocese de Tulle, mas pouco depois, aos 29/07/1962, o Capítulo Geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo o elegeu Superior Geral. Como tal, participando do Concílio do Vaticano II (1962-1965).

 

1.2.  O Vaticano II e o imediato pós-Concílio (1962-1970)

 

Durante o Concílio, Mons. Lefebvre esteve sempre muito ativo. Dois pontos o preocupavam particularmente: a colegialidade dos Bispos e a Liberdade Religiosa, com as suas conseqüências para o Ecumenismo e a presença da Igreja no mundo.

 

A colegialidade é a valorização das funções dos Bispos unidos a Pedro (o Papa) na tarefa de governar a Igreja. Parecia a Mons. Lefebvre derrogar à autoridade do Sumo Pontífice.

 

A Liberdade Religiosa é a afirmação de que cada indivíduo tem o direito (e o estrito dever) de definir sua posição religiosa sem sofrer a coação de algum Governo ou facção. Isto parecia a D. Lefebvre redundar em liberalismo: a dignidade humana já não mereceria ser respeitada desde que a pessoa aderisse ao erro religioso. Somente a Igreja Católica é a sociedade perfeita, que tem o direito exclusivo à liberdade religiosa, sempre e em toda parte. Dizer o contrário seria fazer injúria aos missionários e pôr em perigo o zelo pela salvação dos homens.

 

Acabrunhado com as propostas feitas durante o Concílio, D. Lefebvre escreveu em 1964 um artigo intitulado: "Para permanecer bom católico, será preciso tornar-se protestante?" Este título já manifesta bem como o autor, em sua perspectiva muito pessoal, via na marcha do Concílio a influência do liberalismo e do subjetivismo que caracterizam o protestantismo.

 

Nos anos imediatamente posteriores ao Concílio (1966-1970), D. Lefebvre foi exprimindo sempre mais os seus "receios" em artigos e homilias repetitivas, cuja lógica era mais aparente do que real: as questões complexas eram por demais simplificadas. O apelo à tradição da Igreja era constante; tratava-se, porém, de uma tradição curta, que começava no século XVI (Concílio de Trento, réplica ao protestantismo), destituída de ampla visão da história da Igreja. Em junho de 1970 escrevia D. Lefebvre: "Realizou-se na Igreja um perigoso desvio para o protestantismo e o modernismo".



Escrito por Católico até morrer às 11h54
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O Caso Lefebvre (II)

 

1.1.  Da fundaçâo de Ecône às primeiras ordenações (1970-76)

 

Em 1970 D. Lefebvre fundou, com a autorização de Mons. Charrière, bispo de Friburgo (Suíça), "uma casa de caráter internacional destinada a receber aspirantes ao sacerdócio"; situava-se em Ecône (Suíça) e tinha o nome de "Fraternidade Sacerdotal S. Pio X". Aos numerosos jovens que aí o procuravam, Mons. Lefebvre transmitia suas idéias pessimistas, contrárias ao Concílio; este era tido como "renovação diabólica", "guinada para o liberalismo, o protestantismo e a revolução", "comparável ao latrocínio de Éfeso" (Latrocínio de Éfeso é um falso Concílio convocado pelo Imperador Teodósio em 449, favorável à heresia monofisita.). Seria preciso retornar à Igreja pré-conciliar, sem medo de desobedecer; em especial a Liturgia renovada merecia sérias censuras da parte de Lefebvre, que afirmava: não se pode crer na presença real de Jesus na Eucaristia e comungar em pé... Professava aderir à Roma eterna e católica e recusar a Roma neo-modernista e neo-protestante. Daí a declaração:

 

"Sem rebelião, prosseguimos a nossa obra; atemo-nos a tudo o que foi acreditado e praticado na fé, nos costumes, no culto, no catecismo, na for-mação dos sacerdotes, pela Igreja de sempre e codificado nos livros editados antes da influência modernista do Concílio".

 

As críticas de Mons. Lefebvre suscitaram a inquietude da Santa Sé, que mandou dois Visitadores Apostólicos a Ecône em novembro de 1974. O fundador da Fraternidade, descontente com o fato, elaborou então uma profissão de fé da sua comunidade, repetindo as críticas anteriores. Aliás, um mês antes da visita, aos 13 de outubro de 1974, D. Lefebvre escrevera: "Satã inventou as chaves, que, mediante o Concílio, introduzem a revolução na Igreja pela autoridade da própria Igreja: a liberdade (religiosa), a igualdade (colegialidade), a fraternidade (o ecumenismo, que estende a mão aos inimigos da Igreja)". Em 1975 houve ainda dois encontros de D. Lefebvre com uma comissão de três Cardeais em Roma, presidida pelo Cardeal Garrone (encarregado dos Seminários). O diálogo de nada valeu, pois o arcebispo repetia imperturbado: "Meu modo de pensar é objetivo. Isto é evidente!" O Concílio era acusado de ter rompido com o magistério e a verdadeira tradição da Igreja, de haver instituído uma colegialidade incompreensível, de ter instaurado uma Missa onde se apagava a idéia de sacrifício, com textos novos e confusos, sem respeito à presença real de Cristo, ... de haver valorizado excessivamente o sacerdócio dos fiéis...

 

Em conseqüência, a Santa Sé pediu ao bispo de Friburgo, D. Mamie, que não prorrogasse o decreto de autorização da Fraternidade, que em 1970 obtivera a aprovação para funcionar durante seis anos "a título de experiência". Isto equivalia à condenação da obra de D. Lefebvre, o qual, porém, permaneceu inabalável, reiterando sempre as mesmas acusações: "Liberdade, igualdade, fraternidade contra a autoridade de Deus e toda autoridade = mito sangüinário e imoral".

 

Em 1976 a situação se agravou. Apesar de explícita admoestação de Paulo VI, D. Lefebvre ordenou sacerdotes aos 29/06/1976; na Missa respectiva pronunciou uma homilia, que foi como que um Manifesto:

 

"Pedem-nos que não ordenemos estes candidatos... que dirão a Missa de sempre, a Missa da tradição, a que São Pio V prescreveu para sempre. Nesta, com efeito, encontramos toda a nossa fé católica, ao passo que o novo rito da Missa implica uma fé nova, que não é católica. Nesta outra religião, não é o sacerdote que oferece o sacrifício, mas a assembléia. Esta substituiu a autoridade na Igreja; doravante é o número que comanda, ideal democrático, concepção protestante e modernista. Não aceitamos essa nova religião, que destrói a realeza social de Cristo (a partir das falsas idéias liberais e modernistas), mas a religião católica de sempre: a da nossa infância. Temos fé no sucessor de Pedro quando ele mantém a fé de sempre, não quando cria novas verdades. Nisto consiste a nossa obediência e o nosso amor". Por causa da ordenação dos seus primeiros sacerdotes, D. Lefebvre foi suspenso de ordens pela Santa Sé aos 22/07/76 - o que quer dizer que não lhe seria lícito para o futuro celebrar a S. Liturgia.

 

Pouco antes de sofrer esta censura, o arcebispo mandara ao Papa Paulo VI (aos 17/07/76) um ultimatum, em que pedia a S. Santidade: o retorno ao rito da Missa pré-conciliar, a restauração da Vulgata Latina (tradução feita por S. Jerônimo no século V), o restabelecimento do Catecismo de Trento (século XVI), a reafirmação do sacerdócio católico e do reino de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre pessoas, famílias, sociedades civis (re-afirmação do direito público da Igreja), o abandono das idéias modernas (liberdade, igualdade, fraternidade, democracia), que estariam associando entre si prelados da Igreja e Lojas maçônicas.

 

A ruptura decorrente da suspensão de D. Lefebvre foi consagrada pelo arcebispo, que, apesar da proibição de Roma, celebrou Missa em Lille (França) aos 29/08/76 perante alguns milhares de pessoas; na homilia, o celebrante aludiu ao regime militar argentino como sendo "um Governo de ordem, apreciado por seus bons resultados".

 

1.2.  De 1976 a 1988

 

Em 1977 D. Lefebvre reafirmou sua contestação: "Sim a Paulo VI, sucessor de Pedro. Não a Paulo VI, Papa liberal, sucessor de Lutero, Rousseau ou Lamennais". "A reforma litúrgica é herética e inválida. A Missa sem sacrifício é protestantismo". "Escolhemos a desobediência aparente, mas a obediência real".

 

Paulo VI foi acusado de ter aprovado não só todas as falsas reformas pós-conciliares, mas também a ONU, "Organização maçônica, inimiga de tudo o que é católico"; terá entregue o seu anel ao arcebispo anglicano "Ramsay, leigo, maçom, herético". Enquanto o Papa "favorecia" os erros, D. Lefebvre se julgava obrigado a permanecer fiel ao que fora ensinado durante dois milênios!

 

A eleição de João Paulo II em outubro de 1978 provocou certa aproximação do fundador da Fraternidade, que nutria esperanças de ser compreendido. Todavia D. Lefebvre nada fez para abrir caminhos: continuou a rejeitar a Declaração do Concílio sobre a Liberdade Religiosa, afirmando que o Estado tem o dever de professar a verdadeira fé e de contribuir diretamente para a difusão da Igreja Católica; professou aceitar o Concílio, contanto que fosse interpretado segundo o que D. Lefebvre chama "a tradição": por conseguinte, teriam que ser reformulados, por completo, o decreto sobre o Ecumenismo, as Declarações sobre a Liberdade Religiosa e as Religiões Não Cristãs, assim como a nova Liturgia da Missa. Aos 31/08/1985, em vista do Sínodo dos Bispos que faria o balanço de vinte anos do Concílio do Vaticano II, D. Lefebvre enviou à Santa Sé a seguinte advertência:

 

"Após vinte anos de autodemolição da Igreja, é preciso deter a onda de mudanças. Todo o mal vem da Declaração sobre a Liberdade Religiosa. Esta liberdade em relação à lei de Deus é inspirada pela Declaração dos Direitos do Homem, ímpia e sacrílega, condenada pelos Papas; dessa fonte envenenada correm o indiferentismo religioso, o ecumenismo, as reformas feitas para agradar às falsas religiões, a ruína da autoridade e da moralidade".

 

O Encontro de Oração promovido pelo Papa João Paulo II em Assis no mês de outubro de 1986, reunindo católicos e representantes de todas as grandes correntes religiosas da humanidade, escandalizou D. Lefebvre, que assim se manifestou:

 

"Assis, eis o pecado público contra a unicidade de Deus, o Verbo Encarnado e sua Igreja. João Paulo II estimulou as falsas religiões a rezar aos falsos deuses... Eis um escândalo sem medida e sem precedente... é a mais abominável manifestação do Catolicismo liberal, prova tangível de que o Papa e aqueles que o aprovam, têm falsa noção de fé... Essa religião liberal de Roma conciliar se afasta sempre mais de nós".

 

Em 29/06/1987, D. Lefebvre realizou novas ordenações sacerdotais em Ecône, por ocasião das quais voltou à carga:

 

"Assis é o escândalo: panteon de todas as religiões organizado pelo Papa. O liberalismo da Declaração Dignitatis Humanae sobre as Religiões Não Cristãs é sem Deus e, por conseguinte, contra Deus... é provável que, antes de dar contas da minha vida ao Bom Deus, eu tenha que efetuar ordenações episcopais, pois Roma se fecha nas trevas, a apostasia vem chegando".

 

Em novembro-dezembro de 1987 o Cardeal Eduardo Gagnon efetuou uma Visita Apostólica ao Seminário de Ecône, à qual se seguiu um intercâmbio de cartas e documentos entre D. Lefebvre e a Santa Sé. O ponto alto foi o Protocolo assinado aos 05/05/88 pelo Sr. Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e D. Marcel Lefebvre, abrindo perspectivas de próxima reconciliação. Com efeito; o arcebispo declarou então, entre outras coisas:

 

1) prometer fidelidade à Igreja Católica e ao Pontífice Romano; 2) aceitar a doutrina da Igreja relativa ao magistério eclesiástico e à adesão que lhe é devida; 3) reconhecer a validade da Missa e dos sacramentos celebrados com a intenção requerida e segundo os textos oficiais da renovação litúrgica pós-conciliar; 4) prometer respeitar a disciplina comum da Igreja, especialmente as leis contidas no Código de Direito Canônico de 1983, salvaguardando a disciplina especial concedida à Fraternidade São Pio X por lei particular;  5) empenhar-se numa atitude de estudo com a Sé Apostólica, evitando toda polêmica, a propósito dos pontos da renovação conciliar que lhe pareciam dificilmente conciliáveis com a Tradição.

 

Mais: o mesmo protocolo previa, além da reconciliação canônica, os seguintes tópicos:

 

1) A ereção da Fraternidade São Pio X em Sociedade de Vida Apostólica de direito pontifício com estatutos apropriados e dotada de certa isenção relativa ao culto público, à cura das almas e às atividades apostólicas;

 

2) a concessão, à Fraternidade, de servir-se dos livros litúrgicos em uso até a reforma pós-conciliar;

 

3) a nomeação de uma Comissão, integrada por dois membros da Fraternidade, destinada a resolver eventuais problemas no relacionamento entre a Fraternidade e a Santa Sé;

 

4) a eventual nomeação de um Bispo escolhido entre os membros da Fraternidade.

 

Eis, porém, que logo no dia seguinte (06/05/88) D. Lefebvre escrevia ao Cardeal Ratzinger uma carta-retratação , na qual insistia em ordenar um Bispo aos 30/06, com ou sem a autorização da Santa Sé. Tal atitude do arcebispo, contrária ao protocolo assinado na véspera, não foi aceita pela Santa Sé. Em conseqüência, D. Marcel Lefebvre, aos 02/06/88, escreveu uma carta ao S. Padre declarando sua decisão incondicional de desobedecer à Santa Sé ou de romper com a autoridade da Igreja Católica.

 

Na verdade, D. Lefebvre ordenou quatro Bispos aos 30/06/88 sem a permissão de Roma. Este delito, conforme o Direito Canônico, acarreta imediatamente (sem necessidade de processo e sentença especial) a excomunhão tanto para o bispo ordenante como para os bispos ordenados. - Aos 02/07/88 o bispo emérito de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, foi também excomungado por haver participado ativamente da cerimônia de ordenação. Só Deus sabe quais as conseqüências de tais fatos. - Cabe-nos agora percorrer os principais pontos alegados por D. Lefebvre como justificativas do seu cisma.



Escrito por Católico até morrer às 11h51
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O Caso Lefebvre (III)

 

Virão ao caso sete pontos.

 

2.1. Liberdade Religiosa e Liberalismo

 

2.1.1. Liberalismo

 

O Liberalismo é um movimento inspirado pela afirmação da plena liberdade nos setores filosófico, teológico e político. Despontou no século XVII e prevaleceu na Europa desde a Revolução Francesa (1789).

 

Por "liberdade" entendem os liberais a emancipação frente a qualquer tutela que não provenha do consenso dos homens. No campo filosófico, isto significa o primado absoluto da razão, que estaria habilitada a julgar até os artigos de fé. A Revolução Francesa (1789), com seu lema "Liberdade, Igualdade, Fraternidade", depôs a monarquia absolutista dos reis Luís XIV, XV e XVI e promoveu a democracia. Ao mesmo tempo, porém, perseguiu a Igreja e propiciou a impiedade na Franca e nos países por esta influenciados. O liberalismo era tido como a proclamação de maior idade e maturidade para nações que até então haviam sido governadas de maneira paternalista. No setor político, em oposição ao chamado "direito divino dos príncipes" segundo o qual o rei só deve prestar contas a Deus (por conseguinte, é absoluto na terra), propalou-se a teoria de que "o Estado é fonte de todos os direitos" (proposição condenada por Pio IX no Sílabo nº 39). Em conseqüência, alguns opositores do Liberalismo passaram a defender "o trono e o altar" associados contingentemente. No campo religioso, o liberalismo do século XVII tinha seu precedente na teoria luterana do "livre exame da Bíblia", que recusava qualquer forma de magistério da Igreja. Como dito, o liberalismo chegou a proclamar a liberdade de cada um para julgar a religião sem instância superior à razão individual - o que foi condenado pelo Sílabo de Pio IX nº 14.39-74. O passar do tempo contribuiu para que se distinguissem no Liberalismo o sadio e o inaceitável: em particular, deve-se dizer que a pessoa humana merece respeito; o Estado deve contribuir para a auto-realização pessoal dos cidadãos; compete-lhe, porém, exercer o controle necessário para que o bem particular ou mesmo o individualismo subjetivista não prejudique o bem comum. Por conseguinte, vê-se que o Liberalismo é suscetível de acepções diversas. Na medida em que apregoa o respeito à pessoa humana, é portador de um princípio verídico. Todavia pelo fato de exagerar tal respeito, emancipando de Deus o homem, falha lamentavelmente.

 

2.1.2. Liberdade Religiosa

 

À primeira vista, a liberdade religiosa, proclamada pelo Concílio do Vaticano II na Declaração Dignitatis Humanae, pode parecer suspeita aos olhos da fé católica. É isto que impressiona D. Lefebvre. Na verdade, porém, a liberdade religiosa que a Igreja propugna, deve ser assim entendida: 1) Todo indivíduo tem, em consciência, a obrigação de investigar o problema religioso e responder-lhe conscientemente: "Cada qual tem o dever e, por conseguinte, o direito de procurar a verdade em matéria religiosa, a fim de chegar por meios adequados a formar prudentemente juízos de consciência retos e verdadeiros" (Dignitatis Humanae nº 3).

 

2) No cumprimento do dever de procurar a verdade religiosa, o homem tem o direito (e é isto que a Igreja tenciona proclamar com ênfase) de não sofrer coação alguma, seja de indivíduos, seja de grupos ou Governos:

 

"Os homens todos devem ser isentos de coação por parte tanto de pes-soas particulares como de grupos sociais e de qualquer poder humano, de tal sorte que em assuntos religiosos ninguém seja obrigado a agir contra a pró- pria consciência, nem seja impedido de agir de acordo com ela... O direito à liberdade religiosa se funda na própria dignidade da pessoa humana, como a conhecemos pela palavra revelada de Deus e pela razão natural" (ib.n° 2).

 

"Não é na disposição subjetiva da pessoa, mas na sua própria natureza que se funda o direito à liberdade religiosa. Por isto o direito a tal imunidade continua a existir mesmo para aqueles que não satisfazem a obrigação de procurar a verdade e de a ela aderir" (ib. n° 2).

 

Como se vê, o documento Dignitatis Humanae não está afetado de liberalismo, pois proclama que o ser humano não é absoluto diante de Deus: cabe-lhe a obrigação inata e severa de definir sua posição religiosa. - O que o texto do Concílio rejeita, é a intromissão de terceiros que queiram impor aos seus semelhantes ou o ateísmo (nos países comunistas) ou determinada crença religiosa (nos países muçulmanos, os cidadãos não muçulmanos são, por vezes, discriminados).

 

A corrente tradicionalista de D. Lefebvre não aceita esta perspectiva do Concílio, provavelmente porque defende posições políticas anteriores à Revolução Francesa, ou seja, a união do Estado e da Igreja e, por conseguinte, o dever, do Estado, de professar e promover a fé católica. Ora este ideal, muito acariciado na Antigüidade e na Idade Média, revelou-se, na prática, nocivo à Igreja, pois propiciou o Cesaropapismo, o "direito do Padroado" (nos países ibero-americanos e no Brasil) e outros abusos; além do quê, se deve reconhecer o fato da secularização, ou seja, a apostasia, a opção de muitas pessoas pelo indiferentismo religioso.

 

A Declaração Dignitatis Humanae não nivela verdade e erro; ao contrário, afirma a obrigação de se procurar a verdade religiosa professada pela Igreja Católica (n° 1), mas afirma que não se pode obrigar ninguém a crer nem se pode coagir alguém a mudar de opinião, desde que "não desrespeite as justas exigências da ordem pública" (n° 4).

 

2.2. Ecumenismo

 

Outro tema que suscita as apreensões de D. Lefebvre é o do Ecumenismo. Este foi entendido pelo Concílio do Vaticano II como movimento de restauração da unidade, entre os cristãos separados, dentro da única Igreja fundada por Cristo e entregue ao pastoreio de Pedro.

 

"A reintegração da unidade entre todos os cristãos é um dos objetivos principais do Sagrado Sínodo Ecumênico Vaticano II. O Cristo Senhor fun-dou uma só e única Igreja. Todavia muitas comunidades cristãs se apresen-tam aos homens como sendo a herança verdadeira de Jesus Cristo" (Unitatis Redintegratio n° 1).

 

"Cremos que o Senhor confiou todos os bens do Novo Testamento unicamente ao colégio apostólico, à cuja frente está Pedro, ao fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, pertencem ao povo de Deus" (ib. n° 3).

 

Tal noção de ecumenismo é consentânea com o Evangelho, onde o Senhor Jesus pede que seus discípulos sejam um só (Jo 17,21), constituindo um só rebanho sob um só Pastor (cf. Jo 10,16). É muito compreensível que a Igreja Católica, em nossos dias, empreenda colóquios teológicos, sessões de estudo, jornadas de orações . . . para dissipar mal-entendidos existentes entre os cristãos e favorecer a volta dos irmãos separados ao único rebanho entregue a Pedro. O que importa, é evitar o relativismo ou o falso irenismo, ou seja, concessões feitas em detrimento da sã doutrina ou da Moral católica:

 

"é absolutamente necessário que a doutrina inteira seja lucidamente exposta. Nada é tão alheio ao ecumenismo quanto aquele falso irenismo, pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e seu sentido genuíno é obscurecido" (ib. n° 11).

 

O autêntico sentido do ecumenismo tem sido deturpado pelo falso irenismo (= pacifismo), de que fala o Concílio. Assim, por exemplo, há quem afirme:

 

"O ecumenismo não é o esforço da Igreja Católica para trazer de volta os cristãos que dela saíram. Esta era a noção vigente antes do Concílio do Vaticano II... Ecumenismo é o esforço de aproximação entre as várias confissões cristãs em direção à perfeição de Cristo" (Frei Leonardo Martin e Frei Sergio Calixto Valverde, em "O Estado de São Paulo", 1/06/88). Esta noção, que prescinde de referência a Pedro e à Igreja Católica como dispensadora da plenitude dos meios de salvação, é falha e ilusória. Contra ela podem insurgir-se os fiéis católicos em geral; o mesmo, porém, não se diga em relação ao texto conciliar.

 

Se tem havido abusos na prática do Ecumenismo por parte de representantes católicos, sabemos que abusus non tollit usum, o abuso não extingue o uso. 2.3. Igreja e "Estado Católico" A corrente de D. Lefebvre preconiza o Estado confessional ou o "Estado Católico". Este foi o ideal de S. Agostinho (+43O), dos Papas S. Gregório VII (+1085), Inocêncio III (+1216), Bonifácio VIII (+13O3). Na Idade Média havia condições para tentar realizá-lo, pois toda a população do Sacro Império Romano, desde o monarca até o mais humilde camponês, professava a fé cristã (católica). Quem não a professasse, só podia ser tido como bruxo, possesso do demônio, enfeitiçado... Por conseguinte, era compreensível o empenho dos Papas em fazer que o Estado professasse ou promovesse a doutrina católica; eram raros os que contestavam teoricamente a veracidade do Catolicismo. - Hoje em dia, o Catolicismo conserva sua plena veracidade (a verdade não é algo de relativo); mas o racionalismo, o subjetivismo, o relativismo... penetraram as escolas filosóficas, levando muitos cidadãos a se afastar da fé católica. Neste contexto toca à Igreja renovar a sua ação missionária, como tem pregado o Papa João Paulo II, mas não Ihe é lícito supor as condições de unanimidade religiosa e aceitação vigentes na Idade Média. Já no começo do século XIV, quando o Papa Bonifácio VIII quis sustentar o ideal de Gregório VII (+1083) relativo à Cidade de Deus frente ao rei católico Filipe IV o Belo da Franca, sofreu vexames e perseguições (embora o rei se dissesse católico!).

 

Em nossos tempos é preferível a separação da Igreja e do Estado, ficando a Igreja livre para exercer sua ação missionária. O Estado, que conhece a força mobilizadora da religião, tenderá sempre, como fez no passado, a manipular a Igreja segundo seus interesses, desde que isto Ihe seja, de algum modo, facultado. A democracia na sociedade civil é a forma de Governo aceitável aos olhos da fé católica. Isto não quer dizer que deva afetar a estrutura da Igreja. Esta não é nem democracia nem monarquia (no sentido meramente humano desta palavra), mas é sacramento, ou seja, a continuação do Cristo vivo em seu Corpo Místico, de tal modo que as instituições na Igreja comungam, de algum modo, com a índole sacramental de toda a Igreja.



Escrito por Católico até morrer às 11h50
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O Caso Lefebvre (IV)

 

2.4. Igreja e Modernismo

 

D. Lefebvre fala freqüentemente de modernismo na Igreja. Esta palavra é ambígua. Pode significar "o ser moderno, atualizado" (com significação pejorativa), como também pode significar uma corrente de pensamento que suscitou graves erros no começo do século XX a ponto de provocar a condenação da parte do Papa Pio X no Decreto Lamentabili (03/07/1907) e na Encíclica Pascendi (08/09/1907).

 

O modernismo de Alfred Loisy, GeorgesTyrell, E. Le Roy, E. Dimnet, A. Houtin ensinava que Deus não pode ser reconhecido por critérios objetivos racionais, mas apenas pelo sentimento subjetivo do homem; conseqüentemente a verdade religiosa não seria imutável, mas volúvel como o homem é mutável e volúvel; Cristo não teria ensinado um corpo de doutrinas válidas para todos os tempos, mas apenas teria dado início a um movimento religioso a ser adaptado aos diversos tempos da história; o Catolicismo contemporâneo não se poderia conciliar com a verdadeira ciência; para o conseguir, deveria tornar-se não dogmático ou transformar-se em protestantismo liberal. Verdade é que algumas destas idéias, com vocabulário próprio, reapa- recem no modo de pensar de teólogos contemporâneos, mas deve-se notar que estes não representam a mente da Igreja como tal. Ao contrário, têm sido sucessivamente chamados à ordem tanto pelo Papa, diretamente em suas Encíclicas, quanto pela Congregação para a Doutrina da Fé; sejam mencio- nadas, entre outras, as Instruções sobre a Teologia da Libertação publicadas respectivamente em 1984 e 1986.

 

Quem leia atentamente os documentos oficiais da Igreja, verifica que fazem eco à Tradição, procurando com fidelidade adaptá-la às circunstâncias contemporâneas, quando isto se faça necessário.

 

2.5. Encontro de Oração em Assis (27/10/86)

 

Foi mal interpretado o Encontro de representantes dos diversos Credos Religiosos em Assis, a fim de realizarem uma Jornada de Oração pela Paz aos 27/10/86. Significaria relativismo ou mesmo injúria ao único Deus.

 

A propósito observemos, seguindo a trilha mesma oferecida pelo S. Padre João Paulo II em seus discursos:

1) Existe uma unidade fundamental na família humana decorrente do fato de que - todos os homens são criados à imagem e semelhança de Deus; - todos são chamados ao mesmo termo final, ou seja, a usufruir da vida e felicidade do próprio Deus na pátria definitiva; - todos foram concebidos em Cristo e remidos pelo mesmo sangue do Senhor

 

Esta unidade é mais básica e forte do que as diferenças de raça, cultura e até de religião. Ora à Igreja toca a missão de ser "o sacramento da íntima união dos homens entre si e com Deus" (Constituição Lumen Gentium nº 1). Ela há de ser o fator de superação das diferenças, a fim de constituir o único Povo de Deus, ao qual todos os homens são chamados. Tal missão da Igreja se desempenha normalmente mediante evangelização, diálogo e oração. Em Assis assumiu nova modalidade: encontraram-se homens de Credos diversos, mas unidos pela mesma religiosidade natural e básica - religiosidade que tem suas expressões espontâneas: a oração como reconhecimento de que "toda boa dádiva vem do alto" (cf. Tg 1,17) e o je-jum, símbolo de purificação do coração. - Precisamente para evitar toda aparência de sincretismo religioso, não houve uma fórmula única de oração, mas cada grupo rezou a seu modo em presença dos demais. Sem dúvida, um tal Encontro de Oração jamais teria sido promovido pela Igreja Católica em épocas passadas; as idéias inspiradores do mesmo, embora sejam autenticamente católicas, só vieram à tona em nossos dias, catalisadas pela consciência de solidariedade e o anseio de paz que, mais do que nunca, animam os homens de hoje.

 

2.6. A nova Liturgia

 

É impugnada pelos tradicionalistas como eivada de Protestantismo; apresentaria a Eucaristia mais como Ceia do Senhor do que como o sacrifício do Calvário oferecido por Cristo e pela Igreja. A propósito já foi publicado um artigo em PR 264/1982, pp. 362-377. D. Lefebvre se escandaliza de que o altar esteja voltado para os fiéis, a Oração Eucarística seja dita em voz alta, a Comunhão seja distribuída na mão (a quem o queira), as orações sejam proferidas em vernáculo. Baseia sua repulsa na Tradição... Eis, porém, que segue uma tradição curta, que tem poucos séculos, como diremos mais adiante; retrocedendo para além desses poucos séculos, o estudioso verifica que a Reforma Litúrgica, em muitos casos, não foi senão uma volta à pureza das fontes mais antigas e originais da S. Liturgia. Esta sempre foi celebrada como oração pública, da qual o povo de Deus deve respeitosamente participar.

 

É certo, porém, que houve (e ainda há) abusos lamentáveis, que concorrem para que alguns desdenhem a nova Liturgia. A Santa Sé tem-se empenhado por coibir tais males, consciente de que abusus non tollit usum.

 

2.7. D. Lefebvre, heresias e tradição

 

1. Numa apreciação final, notemos ainda:

 

Quem lê os escritos de D. Lefebvre, verifica neles a obsessão pelos inimigos (anticristos) que, com as suas heresias, querem destruir o Catolicismo. - Conseqüentemente Lefebvre procura nos documentos oficiais da Igreja os textos que proferem condenações de erros e heresias. Ora os Concílios muitas vezes promulgaram cânones que rejeitavam com anatematismos os erros da respectiva época. Todavia a enfatização desses cânones não leva ao conhecimento exato da verdade de fé; pode mesmo levar a outros erros; com efeito, condenar um erro ainda não é formular a autêntica doutrina. Quem julga que a reta fé está contida na proposição contraditória àquela condenada, pode chegar a verdadeiros absurdos. Aliás, foi isto que o modernista Alfred Loisy fez, considerando as sentenças condenadas pelo Decreto Lamentabili de Pio X; tomou as contraditórias como verídicas - o que deu origem a outras proposições errôneas. A própria Lógica ensina: De negatione erroris sequitur quodlibet (da negação do erro, segue-se qualquer proposição). Por exemplo, quem nega que o papel seja branco, não quer dizer automaticamente que o papel é preto (pode ser azul, amarelo, pardo. . .); quem nega que alguém seja velho, não quer dizer que esse alguém é jovem. . .; há matizes entre as duas proposições contraditórias. Por conseguinte, os cânones fecham caminhos sem saída, mas não abrem as genuínas vias. Compete ao estudioso que lê tais condenações, recolocar o problema e procurar, a partir das premissas da fé, a solução autêntica para o mesmo. Este trabalho é especialmente delicado quando as condenações da Igreja versam sobre situações momentâneas, sujeitas a evoluir; por exemplo, os conceitos de democracia, liberdade, igualdade tinham conotações nocivas, propensas ao ateísmo, no século XVIII, conotações que não mais existem no século XX; portanto, não se pode dizer que, se a democracia era atéia e condenável em 1789, ela o deva ser em 1980/90; se a união da Igreja e do Estado era desejável em séculos passados, disto não se segue que o seja também no século XX.

 

Paralelamente observemos: D. Lefebvre, conforme a sua índole pessoal combativa, esperava do Concílio do Vaticano II a condenação de todos os erros contemporâneos (protestantismo, cismas orientais, maçonaria, comunismo. . .). Ora, já que o Concílio não proferiu anátema sobre tais correntes (julgando que as poderia combater de outro modo), concluiu o arcebispo que o Concílio lhes fez concessões ou as assimilou - o que é totalmente falso.

 

2. A fim de acusar o Concílio, D. Lefebvre apela sempre para a tradição de vinte séculos. . . Ora este recurso é um tanto vago. Quem examina as obras do prelado, pode observar que os seus conhecimentos da Tradição são precários e imprecisos: revela conhecer muito pouco os antigos escritores da Igreja; não faz referência alguma aos grandes doutores (S. Basílio, S. Gregório de Nazianzo, S. Atanásio, S. Ambrósio, S. Hilário, S. Cipriano.. .) dos quatro primeiros séculos. Da Idade Media, cita unicamente S. Tomás de Aquino, mas apenas três vezes (sendo duas referências imprecisas e a terceira tirada do opúsculo De regimine Principum, sem menção da Suma Teológica). O que D. Lefebvre conhece um pouco, é a teologia mais recente, ou seja, algumas passagens de Pio VI (1794), Gregório XVI (1844), Pio IX (Sílabo de 1864), Concílio do Vaticano I (1870), certos tratados de Teologia, como os de Billot e Garrigou-Lagrange, além de Manuais teológicos de menor importância.

 

Em suma, dir-se-ia que D. Lefebvre chama "Tradição" o ensinamento teológico, as práticas eclesiásticas e a Liturgia que ele conheceu em sua juventude e nos anos de sua formação sacerdotal; estes dados eram fortemente marcados pelo combate ao liberalismo e ao modernismo. D. Lefebvre ignorou a renovação e o enriquecimento dos estudos ocorridos após a primeira guerra mundial (1914-18) até o Concílio do Vaticano II. Certamente nessa renovação houve desvios; ora somente isto impressionou o arcebispo, que conseqüentemente passou a ver heresias em tudo o que não correspondesse às suas categorias de "Tradição católica", e se fechou obstinadamente na defesa do que ele considera a Verdade católica.

 

3. Conclusão

 

As objeções de D. Lefebvre ao Concílio e as autoridades da Igreja pós-conciliar não se justificam. Elas procedem mais de uma grande obsessão derivada do tempo de estudo do prelado, alimentada pela decepção causada pelas falsas interpretações do Concílio, mais do que de raciocínios doutrinários bem concatenados. De resto, a instabilidade ou a brusca mudança de atitude do arcebispo ocorrida entre 5 e 6 de maio pp. bem revela que o prelado já não parece senhor de si mesmo; antes, é vítima da idade e dos seus assessores, que se prevalecem da insegurança do chefe. Cremos que lhe falta o discernimento tão necessário para perceber que "Satanás se dissimula em anjo de luz" (2Cor 11,14); a idéia fixa de ser "o Salvador da Igreja", às custas mesmas de um cisma, pode ser inspirada pelo anjo de luz e pela obsessão mental.

 

Pode-se ainda dizer que os fiéis leigos aderem a D. Lefebvre mais por motivo de perplexidade diante dos abusos do que por abraçarem todo o pensamento teológico do arcebispo; a idéia de que "nosso futuro é o passado" (D. Lefebvre) condiz pouco com a mentalidade sadia contemporânea; o homem de hoje se vê impelido a olhar para o futuro com esperança e procurar construí-lo em plena continuidade com o passado. Ora é precisamente isto que a Igreja Católica deseja. Saibamos apoiá-la, dizendo Não as arbitrariedades ocorrentes no pós-Concílio e reafirmando a presença do Cristo vivo na única Igreja confiada a Pedro e seus sucessores.

 

As citações de dizeres de D. Lefebvre foram colhidas no artigo Que pense Monseigneur Lefebvre? da autoria de Charles-Marie Guillet, em "Prê-tres Diocésains", abril de 1988, pp. 157-171. Ver também Pierre Grelot: Mgr. Lefebvre et la foi catholique, em "Etudes", Janeiro 1988, pp. 93-107.



Escrito por Católico até morrer às 11h48
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Apresento aos meus amigos e leitores um excelente artigo do Pe. Buela, fundador do Instituto do Verbo Encarnado, na Argentina. Dispensa comentários!!!

 

Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (I)

 

 

INTRODUCCIÓN

 

Nos referiremos a este tema no con afán de polemizar, ni de erigirnos en jueces de nadie, ni mucho menos de herir o lastimar a alguno, sino, simplemente, con el afán de expresar nuestras convicciones.

 

Durante muchos años hemos callado nuestras razones y sin defendernos dejamos que hablasen de nosotros los que querían hablar. Ahora ha llegado el momento de hablar -no para defendernos ni para impedir que hablen de nosotros los que quieran- sino para poder dar nuestras razones por escrito a los que lo piden.

 

Tampoco pretendemos hacer un examen exhaustivo de las posiciones que no compartimos, menos aún hacer notar todas las diferenciaciones que existen en la amplia gama de lo que se suele llamar "los integristas", "conservadores", etc.; gama que incluye a los lefebvristas, los meta-lefebvristas, los deponentistas, los sede-vacantistas, etc. Por ello no pretenden nuestras afirmaciones indigitar a todos ellos en la misma forma y en el mismo sentido.

 

De ahí que pensamos que será de utilidad para nuestro propósito:

 

I.       Mostrar las razones por las cuales consideramos pertinente ocuparnos del tema;

 

II.      considerar lo que entendemos son los problemas puntuales; y,

 

III.     hacer notar lo que son los problemas subyacentes.

 

Con esto sólo pretendemos hacer un servicio a aquellos que, insistentemente, nos lo han solicitado.



Escrito por Católico até morrer às 15h55
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (II)

 

 

 I. ALGUNOS JUICIOS

 

Muchas veces nos llamaron "lefebvristas". Por supuesto no es nuestra intención refutar punto por punto todos los infundios. Citaremos algunos casos:

 

- En la revista Criterio Mons. Carmelo J. Giaquinta, entonces Obispo auxiliar de Viedma, decía: "Consecuentemente el Concilio trajo rémoras y prisas desmedidas. Para rémoras basta el ejemplo de Mons. Lefebvre, que demasiado eco ha encontrado en la Argentina, y actitudes afines, como demuestran recientes acontecimientos que afectaron al Seminario de Paraná y el éxodo de seminaristas hacia San Rafael..."[1].

 

- En otro número de Criterio se dice de los lefebvristas en Argentina que "...actúan completamente al margen de la Iglesia, que los ignora. Ni siquiera se sabe que tengan contacto directo con otros grupos tradicionalistas, tales como los sacerdotes del Verbo Encarnado ("congregación” formada por los seminaristas -hoy ordenados- que en su momento fueran expulsados del Seminario de Paraná y acogidos en el de San Rafael, al que siguen enviando candidatos de todo el país en número importante)"[2].

 

- El periódico The Southern Cross decía, a propósito de unas declaraciones del entonces Obispo de San Rafael, Mons. León Kruk, que esa diócesis "...se destaca por su conservadurismo y su clima de resistencia a las reformas del Vaticano II..." y que dichas declaraciones "son la negación del espíritu de dialogo a la cual nos invita la Iglesia, y un desconocimiento de todo lo que el Vaticano II ha dicho sobre la misión de la Iglesia en el Mundo"[3].

 

- En la revista CIAS de agosto de 1988, el director de la misma dice, con respecto a la Iglesia en la Argentina, que "hay muchos signos que nos hacen temblar como representando una actitud mas parecida a la de Lefebvre que a la de SS. Juan Pablo II. En primer lugar el hecho de que la Fraternidad (San Pío X) nacida de ese espíritu contradictorio al Concilio tenga su seminario aquí y con fuertes influencias, primero en el Seminario de Paraná y ahora en el de San Rafael..."[4].

 

- Incluso en publicaciones extranjeras se nos ha llamado "lefebvristas". Por ejemplo Marcello Zago escribe en L' Osservatore Romano (ed. italiana), a propósito de la situación en nuestro país que "no sólo son activos los lefebvristas formales, sino que también hay seminarios del mismo tipo, como el de San Rafael"[5].

 

- En la revista española Ecclesia el periodista Emeterio Gallego repetidas veces se ha interesado por nosotros. Así, por ejemplo, dice que el Seminario de Paraná era "famoso por su tradicionalismo y antivaticanismo... (allí) no querían oír hablar del Vaticano II... (Posteriormente) se marcharon de la diócesis. Encontraron un obispo benévolo receptor en la de San Rafael, provincia de Mendoza... Ahora, con el cisma lefebvriano, San Rafael ha proclamado su adhesión a Roma y no su lefebvrianismo, pero el Vaticano II sigue plenamente desconocido en el"[6].

 

- En otra oportunidad afirmó que "en la diócesis de San Rafael... son mas lefebvrianos que la gente de Lefebvre"[7].

 

Más recientemente, luego de repetir lo mismo que ya citamos sobre el traslado de los seminaristas, supuestamente lefebvristas, desde Paraná a San Rafael, afirma que por esto "el seminario de San Rafael se convirtió en un foco de atracción para todo el ambiente nazi y tradicionalista argentino[8]... Para evitar la intervención romana desapareció el Seminario Diocesano y se fundó una especie de Instituto Secular de derecho diocesano..."[9].



Escrito por Católico até morrer às 15h53
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (III)

 

 

Si estas son algunas muestras de lo escrito, ¿qué será lo hablado de lo que, también, nos sobran testimonios?

 

Pero para nuestro descargo tenemos que afirmar que no somos lefebvristas ni lo hemos sido nunca. Más aún, ni siquiera hemos tenido tentaciones de lefebvrismo. Es mas, desde hace muchos años, incluso antes de la consagración de los obispos por parte de Mons. Lefebvre, hemos venido denunciando el peligro que tal postura implicaba. Siempre fue para nosotros un callejón sin salida. Basten, para mostrar esto, algunas pruebas:

 

- El 7 de junio de 1981 escribíamos en el Prólogo de La quimera del Progresismo que "...muchos -y no únicamente malintencionados- por el hecho de que denunciamos con mucha fuerza los errores progresistas, inmediatamente nos han de colocar en la vereda de enfrente tildándonos de integristas... Estamos firmemente convencidos que en la Iglesia Católica se puede, y se debe, ser antiprogresista, sin que por ello uno sea, necesariamente, integrista...". A continuación citábamos un discurso de S.S. Juan Pablo II a los Obispos de Francia en el cual el Papa habla de estas dos tendencias, conocidas como "progresismo" e "integrismo". Luego de referirse al progresismo, dice: "Otros -haciendo notar determinados abusos que nosotros somos los primeros, evidentemente, en reprobar y corregir- endurecen su postura deteniéndose en un periodo determinado de la Iglesia, en un determinado plano de formulación teológica o de expresión litúrgica que consideran como absoluto, sin penetrar suficientemente en su profundo sentido, sin considerar la totalidad de la historia y su desarrollo legítimo, asustándose de las cuestiones nuevas, sin admitir en definitiva que el Espíritu de Dios sigue actuando hoy en la Iglesia, con sus pastores unidos al Sucesor de Pedro"[10]. Inmediatamente hacíamos la salvedad de que el Papa no está descartando por igual ambas posturas. En efecto, unos -los integristas- se aferran excesivamente a "expresiones litúrgicas" o a "formulaciones teológicas" de una época; mientras que los progresistas, con su postura, "afectan al contenido esencial de la fe", lo cual es mucho más grave”[11]

 

- El 3 de setiembre de 1983, al escribir el Prólogo de El progresismo cristiano, del P. Julio Meinvielle, decíamos: "Ensayan deshacer a Cristo buscando disminuirlo en su dignidad los que no aceptan -de hecho o de derecho- la verdadera y única cabeza visible de la Iglesia, el Papa, porque diluyen, patentemente, la unidad del Cuerpo Místico: no puede ser un solo Cuerpo si no tuviese una sola cabeza; ni una sola comunidad si no tuviese un solo jefe, como lo enseñó su Fundador: un solo rebaño y un solo pastor (Jn 10,16). Recuérdese, por ejemplo, las desviaciones de Hans Küng y de tantos otros, y, siguiendo un camino aparentemente opuesto, las experiencias de Ecône, y en la exacerbación, las del Palmar de Troya, etc.''[12].

 

- Desde nuestros comienzos en San Rafael hemos mantenido siempre la misma postura. Baste citar la disertación del Prof. Carmelo Palumbo, invitado por nosotros, titulada El lefebvrismo: la otra cara del progresismo, dada en el Seminario de San Rafael "Santa María Madre de Dios" el 8 de setiembre de 1984, cuya presentación hiciéramos, como consta en los diarios de la época y en otros medios, refiriéndonos al tema que luego se publicaría en forma de artículo sobre la hipóstasis, pretendidamente, humano-divina de Jesucristo[13].

 

- En enero de 1985 fue publicado en el Boletín El Caballero de Nuestra Señora, de la Parroquia Nuestra Señora de la Visitación, de Buenos Aires, un artículo del R. P. Miguel Ángel Fuentes, sacerdote de nuestro Instituto (en formación), actualmente Doctor en Teología Moral por la Pontificia Universidad Lateranense y en esa época ayudante de la Cátedra de Moral del Seminario Diocesano de San Rafael, en el cual se refutaba el trabajo Ecumenismo contra la fe Católica, del Ing. Roberto Gorostiaga, publicado en Roma, año XVIII, n° 85, Bs. As., agosto de 1984, en el cual el autor atacaba el nuevo Código de Derecho Canónico, el Decreto Unitatis Redintegratio del Concilio Vaticano II sobre el ecumenismo, y algunas instrucciones y documentos postconciliares en torno a ese tema.

 

- En la revista Gladius, n° 18, del 15 de agosto de 1990, refutábamos la teoría de la "hipóstasis divino-humana de Jesucristo", usada por algunos sede-vacantistas en el Boletín Fidelidad a la Santa Iglesia, n° 9[14]. Allí decíamos también que "la mala inteligencia del augusto misterio del Verbo Encarnado conduce lógicamente a una mala inteligencia del misterio de la Iglesia, ya que esta no es más que el Verbo Encarnado extendido y comunicado[15]. No es de extrañar que el nestorianismo cristológico lleve a un nestorianismo eclesiológico. Al negar -como hacen estos sede-vacantistas- que haya una sola cabeza en la Iglesia, destruyen la unidad del Cuerpo Místico -así como destruyen la unidad del Verbo Encarnado- ya que no puede haber un solo cuerpo si no hubiera una sola cabeza, ni una sola Iglesia si no hubiera un solo Jefe, según nos enseña el mismo Verbo Encarnado: Habrá un solo rebaño y un solo Pastor (Jn 10,16)[16].

 

Pero, y también en nuestro descargo, queremos dar algunas muestras de lo que los mismos lefebvristas piensan de nosotros:

 

- En el Boletín La Tradición, y a propósito de un artículo nuestro sobre el P. Julio Meinvielle publicado en Verbo n° 196, de setiembre de 1979, en el que elogiábamos la obediencia del P. Julio al Magisterio, pues sabia que "atentar contra la Jerarquía de la Iglesia... es como serruchar la rama donde uno está sentado", el P. Hervé Le Lay nos decía: "En cuanto al Padre Buela, todavía lleno de vida, que abandone su infidelidad y vuelva a la Misa indiscutiblemente válida, piadosa, respetuosa; nos apoye en nuestro buen combate por la fe"[17].

 

- En un folleto lefebvrista que circuló en Buenos Aires durante 1985 se dice: "Luego de esta pequeña confrontación sólo podemos agregar que el susodicho Padre Buela sigue escrupulosamente las reformas (o la REFORMA) del Concilio Pastoral Vaticano II y el Novus Ordo Missae, haciendo galas, además, de la más estricta obediencia al Papa". Luego se nos hace una exhortación: "Padre: ¡Sea más delicado en sus aseveraciones con el progresismo, no sea cosa que enmarque en ellas al Sumo Pontífice y al Concilio que Usted se jacta de OBEDECER!" (p. 8).



Escrito por Católico até morrer às 15h53
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (4)

 

 

II. PROBLEMAS PUNTUALES

 

A nuestro parecer cuatro son los problemas fundamentales que esgrimen los sectores conservadores contra la Iglesia de Cristo fundada sobre Pedro, a saber:

 

1.       La reforma del Misal Romano por mandato del Concilio Vaticano II y promulgada por S.S. el Papa Pablo VI;

 

2.       la colegialidad;

 

3.       el ecumenismo;

 

4.       la libertad religiosa.

 

1. La "nueva" Misa

 

Ante todo, lo "nuevo", o lo reformado, es el rito, no la sustancia de la Misa que reitera el sacrificio de la Cena y perpetúa[18] el sacrificio de la Cruz, a menos que ya no se crea que el Sacerdote de la Cruz y de la Misa es el mismo Cristo, que la Víctima de la Cruz y de la Misa es el mismo Cristo, y que el Acto Oblativo de la Cruz y de la Misa es el mismo acto de Cristo. Por tanto, sustancialmente son lo mismo el sacrificio de la Cruz y el de la Misa.

 

Cristo celebró su Misa en arameo como lo siguen haciendo los maronitas, algunos Apóstoles en griego[19], como lo siguen haciendo los greco-melkitas, otros en copto, en armenio, en siríaco, en latín, etc. ¿Qué problema sustancial hay que el rito se haga en español, francés, inglés, alemán, italiano u otro idioma? Es evidente que la lengua no puede alterar la esencia del sacrificio de la Misa. Por eso decía Santo Tomás: "Siempre que en las palabras de cualquier idioma se exprese este sentido (de las palabras admitidas por la fe) se realiza el sacramento"[20].

 

También es evidente que no pueden alterar la esencia del sacrificio de la Misa las oraciones anteriores y posteriores de la consagración que no nos constan por los evangelios ni por los Apóstoles -así, por ejemplo, enim "no pertenece a la forma, como tampoco las que se dicen antes de la forma"[21]-, de modo semejante a como no afectan para la validez y licitud de las demás liturgias, a saber: I) alejandrina (etiópica y copta), II) antioquena o siro occidental (malankar, maronita, sirio libanesa), III) bizantina o constantinopolitana (greco-melquita, ucraniana, etc.), IV) caldea o sirio-oriental (malabar, caldea, etc.), V) armenia, VI) mozárabe, VII) ambrosiana, etc.

 

Para la transustanciación no afecta el número de genuflexiones, ni de manteles, ni de cruces, ni de velas, ni la tipografía de los misales, ni la ablución de los dedos sobre el Cáliz, ni la purificación del mismo, ni la palia, ni el dorado de los vasos, etc.

 

Es sabido que el sacramento sacrificial Eucarístico difiere de los demás sacramentos en que estos se hacen usando materia consagrada; por el contrario, la Eucaristía se hace consagrando la materia, el pan y el vino que se convierten en el Cuerpo y la Sangre de Jesús, juntamente con su Alma y su Divinidad. Además, en los otros sacramentos la consagración es una bendición; en la Eucaristía "la consagración de la materia es una milagrosa conversión de la sustancia que sólo Dios puede realizar. De ahí que el ministro al realizar este sacramento no tenga más acción que proferir las palabras"[22]. Ahora bien, como las formas deben ajustarse a la realidad, mientras en los demás sacramentos las formas se refieren al uso de la materia y se profieren en la persona del ministro (ex persona ministri), en la Eucaristía la forma significa la consagración de la materia, que consiste en la transustanciación y se profiere en la Persona de Cristo que habla (ex persona ipsius Christi loquendi), para dar a entender "que el ministro no hace en su confección otra cosa mas que decir las palabras de Cristo"[23]. Por eso las palabras esenciales de la forma de la Consagración Eucarística son: "Esto es mi cuerpo", "este es el cáliz de mi sangre" (o "esta es mi sangre")[24].

 

En la respuesta a la cuarta dificultad del citado artículo, Santo Tomás dice textualmente: "Afirmaron algunos que el sacramento no se puede consagrar con las palabras dichas, calladas las demás, principalmente las del canon de la misa. Pero esto es evidentemente falso, ya por las palabras de San Ambrosio (De Sacramentis, L. 4, c. 4: ML 16,459) aducidas en el Sed contra: 'La consagración se hace con las palabras y frases del Señor Jesús. Las restantes palabras que se profieren alaban a Dios, ruegan por el pueblo, por los reyes, por todos. Cuando el sacerdote se pone a consagrar el venerable sacramento, ya no usa sus palabras, sino las de Cristo. La palabra de Cristo, en consecuencia, hace el sacramento', ya porque el canon de la Misa no es el mismo en todas partes ni lo fue en todo tiempo, sino que fueron añadidas las distintas cosas por distintos individuos. Por lo cual hay que decir que si el sacerdote dijera sólo las palabras referidas con intención de hacer este sacramento, consagraría, porque la intención haría que se entendieran como dichas en la persona de Cristo, aunque no recitase las que preceden. Sin embargo pecaría gravemente confeccionando así este sacramento, por no observar el rito de la Iglesia"[25]. Se exceptúa aquí los casos de necesidad, como el de tantos confesores de la fe cuando estaban presos.

 

Las palabras que siguen a la esencia de la forma (de la Alianza nueva y eterna que...) son de la sustancia de la forma, como los brazos y los pies son de la sustancia, aunque no de la esencia, del cuerpo humano. Como afirmaba Contenson, "Cristo no las añadió como esenciales a la forma, sino para cerciorar por ellas a los discípulos y a los fieles de qué cuerpo y de qué sangre hablaba"[26]. Si alguien afirma que también son palabras esenciales no consagrarían los sacerdotes orientales, ya que en sus liturgias faltan muchas palabras de las usadas por los latinos en la consagración del vino. Y aunque en esas palabras esenciales -"esto es mi cuerpo", "esta es mi sangre"- "no se exprese sensiblemente la razón del sacrificio o de la efusión de la sangre de Cristo", sin embargo, se significa suficientemente, "al consagrar el vino separadamente del pan; rito que presenta la sangre de Cristo como separada místicamente del cuerpo y, por consiguiente, derramada"[27].

 

Decía el Angélico: "La Pasión se manifiesta en la sangre consagrada por separado del cuerpo, ya que en ella se separaron las dos cosas"[28].



Escrito por Católico até morrer às 15h51
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (5)

 

 

Por tanto es totalmente disparatada la afirmación de algunos que niegan que haya sacrificio en la Misa por el hecho de traducir "pro multis" (por muchos) como "por todos", puesto que:

1°. Ciertamente "por muchos" o "por todos" no pertenece a la esencia de la forma.

2°. Muchas veces en la Sagrada Escritura se pone "muchos" por "todos". Es el caso del polloi griego y del rab hebreo: 

a.       Así, en el tema de la resurrección se pregunta Santo Tomás de Aquino si será para todos y en general. Se pone como dificultad (la 2ª) que en Dn 12,2 se dice: Muchos de los que duermen en el polvo despertaran[29], lo cual implica cierta particularización, que daría pie a pensar que no todos resucitaran. Pero a esa dificultad responde haciendo suya la enseñanza de San Agustín que expone la palabra "muchos" en el sentido de "todos"[30], lo cual "es un modo de hablar que frecuentemente se encuentra en la Sagrada Escritura"[31].

b.       Polloi [perí pollon (Mt 26,28)] "positivamente manifiesta el gran numero de aquellos por los cuales Cristo se ofrece piadosamente, sin negar el número íntegro, es decir, que por todos Cristo soporto la muerte"[32].

c.       A la objeción: "De ahí que debió decir será derramada por todos o por muchos, sin añadir por vosotros", Santo Tomás sólo responde acerca de la importancia que tiene el por vosotros (los judíos, el sacerdote y los que comulgan)[33].

d.       Refiriéndose a las palabras iniciales que no forman parte esencial de la forma de este sacramento, enseña Santo Tomás: "Si se añade todos es por sobreentenderse en las palabras del Evangelio, aunque no se exprese, porque El mismo había dicho: Si no comiereis la carne del Hijo del hombre, no tendréis vida en vosotros (Jn. 6,54)"[34].

e.       En otra parte defiende Santo Tomás que si por torpeza de la lengua se pronuncian mal las palabras de la forma, si la alteración es tal que destruye completamente el sentido de la frase, no pareciera que se realice el sacramento, pero "si la alteración no destruye el sentido de la frase, se produce el Sacramento"[35]. Las palabras que será derramada por muchos en remisión de los pecados se encuentran en Mt 26,28 y muchos equivale a la totalidad o universalidad, por eso dice Tuyá: "Los que van a recibir este provecho en Mt-Mc son muchos (po-llon). Pero esta expresión no es restrictiva a algunos, sino equivalente en varios pasajes bíblicos a la totalidad o universalidad (Mt 20,28; par.). Así, en el poema del "Siervo de Yahvé", de Isaías, que probablemente influye en esta redacción, el Mesías sufriente obtiene el merito para multitudes (rabbim), que son toda la obra redentiva (Is 53,12). Y en el hebreo postbíblico, rabbim no significa muchos, sino la multitud en general, el pueblo, es decir, todos los hombres sin distinción”[36].

3°. Tampoco hay mayor dificultad en que se traduzca por todos "porque, considerando su eficacísima virtud, debemos admitir que Cristo derramó su sangre por la salud de todos. Si atendemos al fruto que de ella (de la Pasión de Cristo) consiguen los hombres, habremos de admitir que no todos la participan efectivamente, sino sólo muchos"[37]. Ni decir "por todos" incluye que el fruto lo alcancen todos; ni decir "por muchos" incluye que la sangre de Cristo haya sido derramada sólo por algunos, o dicho de otra manera, "por todos" no excluye que la redención subjetiva sólo la alcancen "muchos"; "por muchos" no excluye que la redención objetiva se hizo por todos.

También se pregunta Santo Tomás si está permitido añadir algo a las palabras que constituyen la forma sacramental, a lo que responde que "en las fórmulas sacramentales unos dicen cosas que otros omiten. Así, mientras los latinos bautizan con la formula Yo te bautizo en el nombre del Padre, y del Hijo y del Espíritu Santo, los griegos emplean esta otra Sea bautizado el siervo de Cristo N. en el nombre del Padre, etc. Sin embargo tanto los latinos como los griegos administran un sacramento verdadero. Luego a las fórmulas sacramentales se puede añadir o quitar algo"[38]. En la respuesta a la segunda objeción dice: "Las palabras son la forma del sacramento en virtud del sentido que expresan. Por eso, cualquier adición o sustracción de vocablos que no quiten o añadan algo al sentido requerido, no destruye la esencia del sacramento"[39].

Tampoco si el celebrante dijera las palabras consacrativas como meramente narrativas -cosa que lleva a algunos nada menos que ¡a dudar de la validez de la Misa!- se dejaría de hacer el sacramento sacrificial. Así "no es obstáculo que el sacerdote las diga narrando, como dichas por Cristo, porque el infinito poder de Cristo hace que, así como por el contacto de su carne llegó una virtud regeneradora a las aguas de todas las partes de la tierra por todos los siglos futuros y no sólo a las que le tocaron, así por la pronunciación del mismo Cristo estas palabras consiguieron una virtud consecrativa dichas por cualquier sacerdote, como si Cristo presente las pronunciase”[40].

Aún si se diese el caso de que sacerdotes jóvenes desconociesen que la Santa Misa es sacrificio, tal como se afirma: “'Todos esos cambios del nuevo rito son verdaderamente peligrosos porque poco a poco, sobre todo los sacerdotes jóvenes, que ya no tienen idea del Sacrificio, de la presencia real, de la transustanciación y para los cuales todo eso ya no significa nada, repito, los sacerdotes jóvenes pierden la intención de hacer lo que la Iglesia y ya no dicen misas válidas"[41]. Solamente poseyendo el don de la cardiognosis se podría conocer que alguien no tiene intención de hacer lo que hace la Iglesia. Un hombre no puede conocer la intención de otro[42], salvo que exteriormente manifestara lo contrario: "el ministro del sacramento obra como representante de la Iglesia entera, de quien el es ministro, y las palabras que pronuncia expresan la intención de la Iglesia, que basta para la perfección total del sacramento, mientras que el ministro o el sujeto no manifiesta exteriormente una intención contraria"[43]. Y aunque los sacerdotes jóvenes -y no tan jóvenes- ignorasen lo que es sacrificio, presencia real, transustanciación, en una palabra, si no tuviesen fe en la Eucaristía, enseña Santo Tomás que la fe no se requiere en el ministro para realizar el sacramento: "Puerto que según hemos dicho el ministro en los sacramentos obra a modo de instrumento, no actúa por su propia virtud sino por la de Cristo. Y así como pertenece a la virtud propia del hombre la caridad, de igual modo pertenece la fe. Por tanto, así como la caridad del ministro no se requiere para la perfección del sacramento, puesto que, según hemos visto, los pecadores pueden también administrar sacramentos, tampoco se requiere fe, pudiendo un infiel confeccionar un verdadero sacramento, siempre que no falten los demás requisitos necesarios"[44]. Es mas, "si sucede que la falta de fe versa precisamente acerca de la verdad del sacramento que administra, aunque se figure que el rito exterior no surte ningún efecto interior, sin embargo no ignora que la Iglesia Católica intenta producir el sacramento realizando esta acción exterior, en tal hipótesis, a pesar de su falta de fe, puede tener intención de hacer lo que hace la Iglesia, aun cuando se figure que aquello no sirve para nada. Tal intención basta para el sacramento, ya que, según hemos dicho antes, el ministro del sacramento actúa como representante de toda la Iglesia, cuya fe suple lo que le falta a él"[45].

Por último, como Papa tuvo tanta autoridad San Pío V como Pablo VI, y tanto valor tuvo la Constitución Apostólica Quo primum, del 14/7/1570, como la Constitución Apostólica Missale Romanum, del 3/4/1969, en la que dice: "Queremos, además, que cuanto hemos establecido y prescrito tenga fuerza y eficacia ahora y en el futuro, no obstante, si fuere el caso, las Constituciones y Ordenaciones Apostólicas de nuestros Predecesores y cualquiera otra prescripción, incluso las dignas de especial mención y con poder de derogar la ley"[46]. Es reiterada la doctrina que enseña la obligación de observar las Constituciones y Decretos del Romano Pontífice y del Colegio Episcopal. Entre otros documentos pontificios hacen referencia a esta obligación: Pío IX: Carta Tuas libenter (21/12/1863) y Carta Encíclica Quanta cura (8/12/1864); León XIII: Carta Teste benevolentiae (22/1/1899); San Pío X: Decreto Lamentabili (3/7/1907), nn. 7-8; Pío XII: Carta Encíclica Humani generis (12/8/1950). El Código de Derecho Canónico prescribe que “Todos los fieles están obligados a observar las constituciones y decretos promulgados por la legitima autoridad de la Iglesia... de manera especial las que promulga el Romano Pontífice o el Colegio de los Obispos"[47].



Escrito por Católico até morrer às 15h51
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (6)

 

 

2. La Colegialidad

 

No aceptan estos grupos la colegialidad porque, con las numerosísimas variantes que van de unos a otros, atentaría contra el Primado de Pedro, solemnemente definido por el Concilio Vaticano I[48].

 

La colegialidad, al igual que la "communio", de ninguna manera es una doctrina nueva, sino que desde muy antiguo era tenida en gran honor. Y rectamente entendida, no como hacen algunos "colegialistas", expresa una verdad de fe, exalta el Primado del Papa y manifiesta adecuadamente la relación de los obispos entre sí y con el Papa.

 

Los antiguos, tanto en Oriente como en Occidente, tuvieron conciencia de la importancia del Colegio Episcopal, y esta colegialidad se manifestaba, y esta es la base de la argumentación de la Constitución Dogmática Lumen Gentium en este punto[49], en cuatro cosas:

 

a.       la comunión de los obispos entre sí y con el Romano Pontífice en el vínculo de la unidad, de la caridad y de la paz;

 

b.       los sínodos particulares;

 

c.       los Concilios Ecuménicos;

 

d.       el rito de la Consagración Episcopal.

 

Consideraremos cada uno brevemente:

 

a. La comunión de los obispos entre sí y con el Romano Pontífice en el vínculo de la caridad, de la unidad y de la paz:

 

Desde la época apostólica hubo frecuentes comunicaciones entre las iglesias locales, lo cual está atestiguado por la abundante correspondencia que intercambiaban. Tertuliano da la explicación de esta communicatio a través de la cual las iglesias aseguran su unidad y su continuidad con la iglesia apostólica: "Así, pues, entre tantas y tan grandes iglesias sólo hay una, desde los Apóstoles, que sea la primera y de la cual dependen las demás. Así todas son primeras y todas apostólicas mientras con una todas prueban la unidad: la comunicación de la paz, la llamada de la fraternidad y la hospitalidad reciproca. Tales derechos no los rigen otra razón que una única tradición del mismo sacramento"[50]. También San Ireneo menciona que esta apostolicidad de las iglesias, garantía de su unidad, aparece claramente ligada al obispo, sucesor de los Apóstoles, como jefe de la comunidad local[51]. La unidad y la comunión entre las iglesias se expresa y establece por la mutua comunicación entre obispos, y su comunión aparece como una prolongación del Colegio Apostólico, fundamento de la unicidad de la Iglesia. Aunque la noción de Colegio no está aún mencionada explícitamente, es ya una realidad vivida.

 

b. Los Sínodos particulares:

 

Frente a los problemas nuevos que se suscitan contra la fe urge la necesidad de poder discernir la verdad del error. Para ello los obispos buscan ponerse de acuerdo reuniéndose en un mismo lugar. Se originan así los Sínodos regionales. Eusebio constata la existencia de estas reuniones desde la segunda mitad del siglo II[52]. También hacia finales del mismo siglo, con motivo de las controversias sobre la fecha de la Pascua, ya que algunas iglesias orientales tenían una practica diferente al respecto[53]. Los Obispos emiten un decreto aceptado unánimemente, y esto obliga al Papa Víctor a excomulgar a las comunidades de la Provincia de Asia que no quieren abandonar su práctica, y esta acción papal se inscribe en un marco colegial, lo cual manifiesta que la decisión unánime de los obispos del mundo entero reviste, a los ojos del Papa Víctor, un carácter apremiante. "En el Concilio de Arlés año 314), en el que participan treinta y tres obispos de Occidente, esta conciencia universal es totalmente explícita ya; en sus cartas sinodales, los obispos informan al Papa Silvestre de la decisión tomada, para que él la comunique a las iglesias, pues está decisión, a sus ojos, debe obligar a los fieles de todas las iglesias"[54]. Ciertamente la unidad de la Iglesia está fundada sobre Pedro, pero este no es su fundamento único: "Si piensas que sobre Pedro solo está edificada la Iglesia, te diré: ¿que haces de Juan, hijo del trueno, y de cada uno de los Apóstoles?"[55].

 

c.       Los Concilios Ecuménicos:

 

Ya es explícita la noción de Colegio. Baste para mostrar esto citar la carta del Papa Celestino dirigida al Concilio de Éfeso: "Es, pues, santo y merece la debida veneración, el colegio en que ciertamente ahora debe verse reverencia de aquella, que leemos, frecuentísima congregación de los Apóstoles... Haya una sola alma con un solo corazón para todos. Cuando es herida la fe que es una, duélase, mejor aún, llore esto con nosotros todo el colegio"[56].



Escrito por Católico até morrer às 15h49
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (7)

 

d.       El rito de Consagración episcopal:

 

Ya San Cipriano alude a esta costumbre, que se remonta a la época de los Apóstoles: "... deben reunirse todos los obispos próximos de la provincia"[57]. Esto mismo fue establecido solemnemente por el Concilio de Nicea, en su cuarto canon, y comentado por el IV Concilio Constantinopolitano: "Este Santo y universal Sínodo define y establece, en consonancia con los anteriores concilios, que las promociones y consagraciones de los obispos se haga por elección y decreto del colegio de los obispos"[58].

 

Por los textos del Concilio Vaticano II, y los contextos, no solo no hay contradicción con los documentos del Concilio Vaticano I, sino que hay un complemento que lejos de disminuir, exalta aún más la singular y única figura del Papa. Para muestra basta un botón: la "Nota explicativa previa" al capitulo III de la Constitución Dogmática sobre la Iglesia Lumen Gentium que, ciertamente es un documento conciliar (aunque no considerado materialmente), votado y aprobado en la congregación general 123, el día 16 de noviembre de 1964, y en la congregación publica final ante el Papa. Esta celebre “Nota" será todo lo insólita y grave que se quiera, pero los Padres Conciliares votaron el texto del capitulo III según la interpretación de la “Nota", que es "fuente auténtica de interpretación del gran documento conciliar"[59].

 

Doctrinalmente son de notar las ideas siguientes:

 

1.       "Colegio" no debe entenderse en sentido estrictamente jurídico, como sociedad de iguales que delegan poderes al presidente. "Colegio" significa una asamblea (coetus: reunión, congregación) estable cuya naturaleza y autoridad se conoce por revelación (por eso se dice en LG 19 "a modo de colegio o congregación estable" y en otros lugares se habla de "ordo" y "corpus" refiriéndose al colegio de los obispos).

 

2.       El paralelo entre Pedro y los Apóstoles y entre el Papa y los obispos:

 

a)       no implica que los Apóstoles transmitan a los obispos sus poderes extraordinarios;

 

b)       ni que haya igualdad entre la Cabeza y los miembros del Colegio;

 

c)       sólo hay proporcionalidad entre Pedro-Apóstoles y Papa-Obispos (por eso en LG 22 no se dice "del mismo modo", sino "de modo semejante" (pari ratione).

 

d)       no debe pasarse unívocamente del "coetus" apostólico al "coetus" episcopal.

 

3. La agregación al Colegio se produce por dos causas necesarias:

 

a) la consagración episcopal

 

b) por la comunión jerárquica con la Cabeza del Colegio y con los demás obispos.

 

4. a)   En la consagración episcopal se da una participación de las funciones (munera) sagradas (se dice "funciones" y no "potestades" para evitar que alguien entienda una potestad expedita ya para el acto).

 

b)       Para tener una potestad expedita al acto es necesario tener añadida la determinación jurídica o canónica por la autoridad jerárquica.

 

c)       La determinación jurídica puede consistir en la concesión de un oficio particular (v. gr. los obispos que trabajan en la Curia Romana, o los que son Nuncios, etc.) o en la asignación de súbditos (v. gr. los obispos residenciales, etc.). Esto es exigido ex natura rei porque se trata de funciones (munera) que deben ser ejercidas por muchos que cooperan jerárquicamente; esto es una communio.

 

5. a) La communio (con la Cabeza de la Iglesia y los miembros) no es un cierto afecto vago, sino una realidad orgánica, que exige una forma jurídica y que al mismo tiempo esté animada por la caridad.

 

b)       La comunicación de la potestad por el Papa a los obispos no se refiere necesariamente a la misma potestad, sino a "la necesaria determinación de potestades".

 

c)       Del Colegio de los obispos, que no existe sin su Cabeza, se afirma que "es también sujeto de la suprema y plena potestad sobre la Iglesia universal"[60]. El Colegio supone siempre y necesariamente a su Cabeza. La distinción no es entre el Papa y los obispos colectivamente tomados, sino entre el Papa por un lado, y el Papa junto con los obispos por otro (sólo al Papa competen ciertos actos que no pueden poner los obispos: ordenar, convocar, promover, dirigir, aprobar el ejercicio colegial, etc., "según propia discreción”).

 

6. El Papa puede ejercer su potestad en todo tiempo y "ad placitum". El Colegio, en cambio, no obra permanentemente por una acción estrictamente colegial. No siempre está in actu pleno y que, con acto estrictamente colegial, no obra sino por intervalos y sólo con el consentimiento de su Cabeza[61], el Papa, que no es un extraño al Colegio, con quien los miembros deben estar en comunión y que debe necesariamente poner el acto que compete propiamente a la Cabeza (o sea, el Papa obra libre del Colegio; éste siempre y necesariamente depende del Papa).



Escrito por Católico até morrer às 15h48
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (8)

 

 

3. El ecumenismo

 

Se ha dado en llamar ecumenismo a la tarea de restaurar la unidad entre todos los cristianos. La Iglesia Católica está implicada en esta tarea por vocación, no por táctica. Vocación que le viene de su Señor. De por medio hay una promesa-profecía y una oración. La profecía-promesa es que habrá un solo rebaño y un solo pastor (Jn 10,16). Hay que hacer notar que como el rebaño es visible, visible también debe ser el pastor: el Papa; mas de cien testimonios del magisterio eclesial lo testifican[62]. Y la oración, por proceder del mismo Cristo, es infalible: Que todos sean uno (Jn 17,21).

 

Ciertamente que hay un falso ecumenismo, o ecumenismo masónico, o ecumenismo político[63], o ecumenismo sin conversión, etc., cuyas propuesta fundamental es que todas las religiones son iguales (sincretismo, irenismo, etc.), por tanto los hombres se salvan indistintamente en cualquiera. Y este "ecumenismo" es abominable.

 

Pero el verdadero ecumenismo pertenece a la naturaleza misma de la única y verdadera Iglesia fundada por Cristo. La doctrina de la Iglesia Católica está bellamente resumida en el Catecismo Universal de reciente publicación. Sin necesidad de acudir a otras fuentes se refutan con él las sentencias de los antiecumenistas. Allí se afirma claramente:

 

a.       Sólo es una y única la Iglesia fundada por Cristo[64]. La unidad de la Iglesia se fundamenta en su origen ("la unidad de un solo Dios Padre, Hijo y Espíritu Santo en la Trinidad de Personas"[65]); en su Fundador, el Hijo de Dios encarnado; en su alma, el Espíritu Santo, que "es el principio de la unidad de la Iglesia"[66]. El vínculo de unidad es, ante todo, la caridad, que es el vínculo de perfección (Col 3,14). Pero hay también vínculos visibles: la profesión de una misma fe recibida de los Apóstoles; la celebración común del culto divino, sobre todo de los sacramentos; la sucesión apostólica por el sacramento del orden, que conserva la concordia fraterna de la familia de Dios. Además la Iglesia de Cristo es única, "gobernada por el sucesor de Pedro y por los obispos en comunión con él"[67].

 

b.       "En esta una y única Iglesia de Dios desde los comienzos surgieron escisiones"[68]. Pero es preciso trabajar para que quienes se han separado de la Iglesia vuelvan a ella, ya que la unidad "que Cristo concedió desde el principio a la Iglesia... creemos que subsiste indefectiblemente en la Iglesia Católica y esperamos que crezca hasta la consumación de los tiempos"[69]. Por eso la preocupación por el restablecimiento de la unión "atañe a la Iglesia entera"[70]. Pero hay que saber que "este santo propósito de reconciliar a todos los cristianos en la unidad de la única Iglesia de Jesucristo excede las fuerzas y la capacidad humana"[71]. Por eso hay que poner toda la esperanza "en la oración de Cristo por la Iglesia, en el amor del Padre para con nosotros, y en el poder del Espíritu Santo”[72].

 

c. "Fuera de la Iglesia no hay salvación"[73]: El Concilio Vaticano II reafirma toda la tradición anterior al respecto, es decir, que toda la salvación viene de Cristo-Cabeza por la Iglesia, que es su Cuerpo. Por eso se afirma que "esta Iglesia peregrina es necesaria para la salvación. Cristo, en efecto, es el único Mediador y camino de salvación que se nos hace presente en su Cuerpo, la Iglesia. El, al inculcar con palabras bien explícitas la necesidad de la fe y del bautismo, confirmo al mismo tiempo la necesidad de la Iglesia, en la que entran los hombres por el bautismo como por una puerta. Por eso no podrían salvarse los que, sabiendo que Dios fundó, por medio de Jesucristo, la Iglesia Católica como necesaria para la salvación, sin embargo, no hubiesen querido entrar o perseverar en ella"[74]. Evidentemente esta afirmación no se refiere a los que, sin culpa propia, no conocen a Cristo y a su Iglesia. Por eso, aunque Dios por caminos sólo conocidos por El pudiese llevar a la fe verdadera a los hombres, corresponde a la Iglesia la urgente tarea de evangelizar. Es lo mismo que afirma Santo Tomás al decir que, aunque una persona viviese aislada de todo, con tal de observar la ley natural, "Dios le revelaría, por alguna inspiración interior, todo lo que es necesario para creer, o le enviaría algún predicador de la fe, como hizo a Cornelio enviándole a Pedro"[75].

 

4. La libertad religiosa

 

Según las estadísticas publicadas en La Enciclopedia Cristiana Mundial publicada en Oxford en 1984, luego de catorce años de investigación en 212 países con mas de 600 sociólogos y demógrafos, en el mundo existían 1.433 millones de cristianos, de los cuales, 605 millones de cristianos, o sea el 42%, soportaban restricciones a la libertad religiosa. ¿Se puede ignorar esta terrible realidad mirando a otro lado?

 

Aquí los que condenan las enseñanzas del Concilio Vaticano II sobre la libertad religiosa suelen afirmar dos cosas:

 

a.       se contradice con el Magisterio anterior, v. gr. con la Encíclica Quanta cura de Pío IX;

 

b.       da pie para que se promueva el laicismo en todos los órdenes, en contra de la Encíclica Quas primas de Pío XI.



Escrito por Católico até morrer às 15h44
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (9)

 

a.  A lo primero hay que decir que no se advierte las diferentes acepciones del término "libertad religiosa". Cuando Pío IX y otros Papas del siglo pasado condenan la libertad religiosa condenan la teoría liberal que considera que los hombres no tienen obligación de buscar la verdad religiosa, mientras que cuando el Vaticano II y el Magisterio posterior promueven la libertad religiosa trabajan para que los hombres no sean coaccionados por los poderes públicos en su conciencia para practicar la religión. En el primer caso tenemos libertad de eximirse de los deberes religiosos (libertas a religione), en el segundo, libertad para cumplir los deberes religiosos (libertas ad religionem). Se trata de dos realidades distintas y, por lo tanto, el término suple de diferente modo en cada caso. Es lo que los lógicos llaman "valor de suplencia" (suppositio).

 

Entre otros, han tratado científicamente este tema los Padres Julio Meinvielle y Victorino Rodríguez, O.P., a ninguno de los cuales se los puede tildar de progresistas. El primero trato el tema en su trabajo La declaración conciliar sobre la libertad religiosa y la doctrina tradicional[76]. Pero no nos referiremos a su interpretación, por ser más conocido entre nosotros. Sí a la del segundo, publicada en la revista Mikael[77].

 

Allí expone claramente que el derecho a la libertad religiosa no se funda en las disposiciones subjetivas de la persona, como la conciencia invenciblemente errónea, ya que es un derecho natural, y por lo tanto común, universal, inalterable e inviolable, no puede fundarse en una apreciación puramente subjetiva, personal y mudable. Por eso el texto de la Declaración Dignitatis Humanae dice: "El derecho a la libertad religiosa no se funda en la disposición subjetiva de la persona, sino en su misma naturaleza"[78]. Es decir, lo que se admite es un derecho natural a la libertad religiosa, pero entendiendo esta libertad en el ámbito social y civil, y entendiendo el derecho en sentido negativo: derecho de inmunidad, a que nadie sea coaccionado ni impedido civilmente en su vida religiosa personal o social. El fundamento de este derecho es la dignidad de la persona de cara al poder civil: "su ejercicio no puede ser impedido con tal que se guarde el justo orden publico"[79]. Pero al lado de este especial derecho negativo de ámbito exterior la Declaración Dignitatis Humanae proclama insistentemente el deber y el consiguiente derecho del individuo y de la sociedad de buscar y abrazar la religión verdadera, que es la Católica, y de formarse una conciencia religiosa perfecta al respecto, recta y verdadera: “Todos los hombres, conforme a su dignidad, por ser personas... tienen la obligación moral de buscar la verdad sobre todo lo que se refiere a la religión. Están obligados, asimismo, a adherirse a la verdad conocida y a ordenar toda su vida según las exigencias de la verdad"[80]; "Cada cual tiene la obligación, y por consiguiente también el derecho, de buscar la verdad en materia religiosa a fin de que, utilizando los medios adecuados, llegue a formarse rectos y verdaderos juicios de conciencia"[81]; 'Todos los hombres están obligados a buscar la verdad, sobre todo en lo que se refiere a Dios y a su Iglesia, y, una vez conocida, a abrazarla y practicarla"[82]. Y como este derecho "se refiere a la inmunidad de coerción en la sociedad civil, deja íntegra la doctrina tradicional católica acerca del deber moral de los hombres y de las sociedades para con la verdadera religión y única Iglesia"[83]. Esto está en perfecta consonancia con los principios formulados por Pío XII en el discurso Ci riesce del 6/12/1953: "Primero: lo que no responde a la verdad y a la norma moral no tiene objetivamente derecho alguno, ni a la existencia, ni a la propaganda ni a la acción. Segundo: el no impedirlo por medio de leyes estatales y de disposiciones coercitivas puede, sin embargo, hallarse justificado por el interés de un bien superior y más universal"[84]. Por eso, apunta muy bien el R. P. Rodríguez, se trata del bien de la debida tolerancia, que no puede confundirse con el mal indebido tolerado.

 

b. La segunda dificultad, sobre la supuesta promoción del laicismo, queda refutada con el argumento anterior. Para ilustrar esto baste recordar el pensamiento incisivo y admirable, la expresión actual mas hermosa y fuerte de la realidad de la necesidad del Reinado Social de Cristo Rey, escuchada en ese día por millones y millones de personas por televisión: "¡No temáis! ¡Abrid, más todavía, abrid de par en par las puertas a Cristo! Abrid a su potestad salvadora los confines de los Estados, los sistemas económicos y los políticos, los extensos campos de la cultura, de la civilización y del desarrollo! Cristo conoce lo que hay dentro del hombre. ¡Sólo El lo conoce! "[85].

 

¿Por qué no quiere entenderse que "la doctrina social o enseñanza social de la Iglesia"[86] no es otra cosa que lo que Pío XI en Quas primas llamaba Reinado Social de Cristo?

 

Con distintos nombres conoce el católico su compromiso para ordenar lo temporal según Cristo, que abarca, a veces, aspectos parciales, y que algunos mal interpretan, como decíamos hace tiempo[87]. Esos nombres son:

 

- consagración del mundo;

- desarrollo integral;

- promoción humana;

- inculturación del Evangelio;

- promoción de la justicia;

- recta concepción cristiana de la liberación;

- defensa de los derechos humanos;

- defensa de la dignidad de la persona humana, etc.

Todas estas cosas, rectamente entendidas, no son otra cosa que trabajar por la:

- ciudad de Dios,

- ciudad católica,

- civilización cristiana,

- cristiandad,

- civilización del amor. ¿Acaso no podemos decir con Santo Tomás que esta "diversidad está mas en las palabras que en la realidad"[88]? De hecho hace pocos días Juan Pablo II dijo: "Estamos aquí para hacer realidad, inicial pero objetiva, este gran proyecto de la civilización del amor. Esta es la civilización de Jesús; esta es la civilización de la Iglesia; esta es la verdadera civilización cristiana..."[89].

 

¿Por qué no quieren ver el predicamento que tiene la Iglesia Católica hoy día en el mundo, en especial, el prestigio del Papado, el liderazgo mundial de Juan Pablo II, el hecho de que de los pocos Embajadores ante el Vaticano a principios de siglo, en la actualidad hay cerca de 140? ¿No es esta una manera concreta de que Cristo sea escuchado en los foros nacionales e internacionales?



Escrito por Católico até morrer às 15h43
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Integrismo conservador. ¿Una opción válida? (10)

 

III. PROBLEMAS DE BASE

 

Estimamos que existen otros problemas que son los que llevan a incurrir en las dificultades que hemos visto.

 

I. Así el perder de vista la indefectibilidad de la Iglesia católica por la que no sólo perdurara hasta el fin del mundo, sino que, además, no sufrirá ningún cambio sustancial ni en su doctrina, ni en su constitución ni en su culto. Lo anunció el ángel Gabriel refiriéndose a Cristo y a su Reino, que es la Iglesia: Reinará en la casa de Jacob para siempre y su reino no tendrá fin (Lc 1,32). Cristo prometió que las puertas del infierno no prevalecerán contra ella (Mt 16,18), y yo estaré con vosotros todos los días hasta el fin del mundo (Mt 28,20). Y San Pablo testimonia que la Eucaristía se celebrará hasta que El venga (1 Cor 11,26), o sea, hasta el fin del mundo.

 

2. Algunos de ellos caen en un error parecido al de los protestantes. Estos hablaban de la "sola Scriptura" como norma remota de la Revelación y del "libre examen" como norma próxima, destruyendo la Tradición y el Magisterio bajo el mismo principio. Aquellos parecen que tienen como norma remota a la "sola Traditio", y como norma próxima al libre examen, o sea, lo que ellos mismos dicen que pertenece o no a la Tradición, aplicando el mismo principio protestante del "libre examen" también a la Biblia y al Magisterio. Por eso, por ejemplo, están en conflicto con lo que desde siempre ha sido el corazón mismo de la Tradición, que es el Primado del Papa, desde el Tu eres Pedro y sobre esta piedra edificaré mi Iglesia (Mt 16,18), pasando por San Ignacio de Antioquía a los cristianos de Roma: "están purificados de todo tinte extraño"[90], y "preside en la caridad"[91], San Ireneo: "En ella (la Iglesia de Roma) se ha conservado siempre la tradición apostólica"[92]. San Cipriano la designa como "punto de partida de la unidad episcopal", en ella "no tiene acceso el error en la fe"[93], San Jerónimo escribe al Papa: "Sólo en Vos se conserva íntegra la herencia de los Padres"[94], San Agustín: "Roma locuta causa finita"[95], San Ambrosio:

"Donde está Pedro allí está la Iglesia"[96], San León Magno: "Así como perdura para siempre lo que en Cristo Pedro creyó, de la misma manera perdurará para siempre lo que en Pedro Cristo instituyó"[97], los padres del Concilio de Calcedonia (año 451) reciben la epístola dogmática del Papa San León I (el Tomus ad Flavianum) aclamando: "Pedro ha hablado por boca de León", el Papa Hormisdas (año 519): "En la Sede Apostólica se ha conservado siempre inmaculada la religión católica"[98], hasta el Concilio Vaticano II: "Esta doctrina sobre la institución, perpetuidad, poder y razón de ser del sacro primado del Romano Pontífice y de su magisterio infalible, el Santo Concilio la propone nuevamente como objeto de fe inconmovible a todos los fieles"[99], "Las Iglesias particulares de Oriente y Occidente... están encomendadas por igual al gobierno pastoral del Romano Pontífice, que por institución divina sucede a Pedro en el primado sobre la Iglesia Universal"[100].

Y así como, paradójicamente, los protestantes con la "sola Escritura" se quedaron sin Escritura[101], los integristas conservadores, análogamente, con la "sola Tradición" se quedaron sin Tradición.

La fe de siempre sólo se defiende con la fe de siempre. Que en una ocasión San Pablo haya reprendido a San Pedro[102], no significa que todos se crean San Pablo, ni que se viva en un estado permanente de reprensión y crítica a quien hace las veces de Pedro. El Papa San Nicolás I (858-867) enseña que "la primera Sede no será juzgada por nadie"[103], y San León IX (1049-1054), que de la Sede suprema "no es lícito a ningún hombre ni pronunciar juicio"[104] y que "como el quicio, permaneciendo inmóvil trae y lleva la puerta; así Pedro y sus sucesores tienen libre juicio sobre toda la Iglesia, sin que nadie deba hacerles cambiar de sitio, pues la Sede Suprema por nadie es juzgada"[105]

Cosa curiosa, ¿por qué no advierten que el derrumbe del comunismo en Europa Central y del Este se debe en gran parte a Juan Pablo II?[106], ¿por qué ni una palabra de la gracia que le hizo la Virgen de Fátima salvándole la vida el 13 de mayo de 1981?, ¿la Tradición no honró siempre a los confesores de la fe?

El carácter iluminista de la sistemática crítica y actitud contestataria al Papa se palpa por el recurso sistemático al llamado "incidente de Antioquia", pero nunca se recuerda que en la misma carta San Pablo dice que subió a Jerusalén videre Petrum (Gál 1,18), y luego lo hizo por segunda vez para saber si no había corrido en vano (Gal 2,2).

Otro ejemplo de conflicto con la Tradición viva de la Iglesia católica, además ejemplo paradigmático del divisionismo que produce el no reconocimiento, de hecho, de la Cabeza visible de la Iglesia, y otro punto de contacto con el progresismo, es la prédica en contra del cumplimiento del precepto dominical que manda la asistencia a Misa los días domingos:

Domingo fue el día de la Resurrección del Señor, el día que se apareció a los Apóstoles en el Cenáculo y que partió el pan en Emaús. Domingo es el día en que partían el pan los Apóstoles: El primer día de la semana, estando nosotros reunidos para partir el pan (Hech 20,7). Así también ha sido el uso en toda la Tradición. San Ignacio de Antioquia dice que "los que vivían según el orden de cosas antiguo han pasado a la nueva esperanza, no observando ya el sábado sino el día del Señor, en el que nuestra vida es bendecida por El y por su muerte"[107]. Y San Justino: "Celebramos esta reunión general el día del sol, por ser el día primero, en que Dios, transformando las tinieblas y la materia, hizo el mundo, y el día también en que Jesucristo, nuestro Salvador, resucito de entre los muertos"[108]. Y San Jerónimo: "El día del Señor, el día de la Resurrección, el día de los cristianos, es nuestro día. Por eso es llamado día del Señor: porque es en este día cuando el Señor subió victorioso junto al Padre"[109].

 

b.       Es ejemplo del divisionismo reinante entre sus adherentes, ya que la Misa que celebra el Papa con el 99,9 % de los obispos del mundo es calificada con muy distinta valoración, y así dicen que es:

 

- ilícita

- o, ambigua

- o, de dudosa validez

- o, inválida

- o, herética (protestante o semi-protestante)

- o, cismática

- o, sacrílega.

 

c.       Y digo punto de contacto con el progresismo porque estos también, con otros argumentos, inducen a los fieles católicos a la no asistencia a la Misa dominical: "si no la sienten...", "no se tienen que sentir obligados...", "es preferible cumplir los deberes del hogar...", "es el día en que la familia está en casa...", "si asisten otro día de la semana...", etc.



Escrito por Católico até morrer às 15h40
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